quinta-feira, 26 de agosto de 2010

MOB 010


Participem! Participem!
Estaremos fazendo a música livre na grande bolha, do dia 13, todos são bem-vindos! :)

PS: A arte é de José Roberto da Silva e o cartaz foi emprestado daqui.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O negócio é arte


Eis o teatro de bolso. Estrelando: O Auto da Compadecida.


E tudo vira arte! :)

domingo, 8 de agosto de 2010

A morte do mito



A praticidade e a impaciência comeram o mito cru.
Os andarilhos viraram moradores de rua, os magos foram internados nos hospícios e o mistério virou ciência.
Explicou-se o sol, as fases da lua e o crescimento das plantas. Foram erguidos grandes edifícios, as ruas concretadas e o homem, enquanto carcaça, enaltecido. Sua vida, enquanto carne, foi prorrogada e os sentidos viraram compreensão.
O cinza tomou as ruas, a fumaça tomou o ar e o tédio, o frescor. O véu cresceu, engrossou, as luzes da cidade grande ofuscaram o céu e o silêncio, que ainda habita as montanhas é cada vez mais raro.

Foto: Roberto Linsker

terça-feira, 27 de julho de 2010

Ode ao que é


Sê o que é.
Deixa o efêmero aos sentidos e observa-os, de longe, somente quando lhe convier.
Tu não és aquilo que sente. Não és aquilo que pensa.
Eleva-te aos céus e espelha o Sol. Deixa reluzir o âmago em tua morada de carne.
Agora solta o corpo e sente. Sente o instante, a atenção que dá vida ao que está aí.
Renasce em ti mesmo, novos olhos, novas orelhas, novos gestos e nova boca.
Deixa renascer o frescor do que sempre foi, fora do tempo.
No todo, sê a calma imperturbável daquilo que é.
E renova, sempre.

PS: O crédito da grande pintura é de Nicholas Roerich (Pearl of Searching, 1924).

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Espiral de ervas


Finalmente, eis o resultado de minha primeira espiral de ervas!
Ela foi feita quase toda reaproveitando pedaços de pedras, terra, etc... Primeiramente abri um canteiro em frente à casa - com um martelo e um formãozinho - quebrando as pedras da calçada, tirando aquela areia e jogando uma boa terra preta - que também foi achada abandonada numa caçamba aqui no bairro. Lá foram plantadas algumas mudas que achei pela região; espadas de são-jorge, babosas e boldos, que pegam fácil.
Enfim, para fazer a espiral cavei um terço - ao menos era o planejado - do tamanho da pedra em pé e conforme o caracol foi fechando a altura foi levantando. No meio planta-se o que necessita de mais sol e assim por diante. Nela rolou manjericão, cebolinha, hortelã, tomilho, orégano e salsinha. Ficou bem simples, mas efetiva e agradável!
Rolou até um stop-motion que não ficou lá aquelas coisas, mas está sendo editado. :)
Bom, muita paz e um ótimo inverno a todos!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Satyaprem: Você é o obstáculo

Satyaprem, à moda dos zen budistas, dá um belo nó na mente e nos traz uma belíssima compreensão acerca do "encontrar a paz".

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sem cor nem vida


Estavam todos lá, parecendo mortos em vida. O ambiente era tomado por uma grande massa disforme de sons, formada pelas mais variadas vozes que falavam sem parar e ao mesmo tempo. O cheiro da cerveja se confundia às vezes com a fumaça dos vários cigarros e as pessoas pareciam desnorteadas e sem cor.
Algumas se reparavam pelos cantos dos olhos e cochichavam, outras falavam alto e gesticulavam. Um rapaz ao canto, ávido por olhares, tocava com força seu violão e competia com aquela barulheira. Todos empunhavam seus copos e bebiam, bebiam como se aquilo fosse o combustível daquele momento.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O fim da jornada

Trecho do fim da pedalada ao Rio de Janeiro:

O ônibus passa devagar pelas pontes e viadutos. Avisto os topos das casas antigas
já amarronzadas pelo tempo e dentro delas as pessoas, que se escondem do calor e do tempo, olhando pela janela o concreto a ferver sob o sol.
Os verdes morros vão se tornando quadriculados e tomam a cor de barro, exibindo linhas negras que, espontâneas, se cruzam para todos os lados.
Enquanto uns moleques sorridentes soltam pipas, outros correm agitados pelas passagens estreitas.
Cheguei lá eram umas 14:00, depois de cruzar a linda serra de Miguel Pereira, marcada de curvas estreitas entre precipícios e grandes morros.
Saindo da rodoviária da capital, logo vou atrás de um almoço. Vejo uma moça negra e alta que vende cervejas e lhe pergunto onde arrumo um almoço barato.
- Barato quanto
?
- De preferência até uns 5 reais.

Ela me indica um treiler. Chego lá morrendo de fome e negocio um bom prato de arroz, umas poucas colheradas de feijão, alface, tomates e cebola por 4 reais.
Sentado a rangar, uns sujeitos logo me advertem: O negócio é se mandar daqui. Carnaval é muita covardia, a cidade vira um inferno.
Barbudo, vestindo os trapos já surrados pela estrada e carregando a velha bicicleta cheia de malas - lhes chamo a atenção e logo me perguntam sobre a aventura. Conto-lhes das experiências com o povo brasileiro, das pedaladas pelas serras e ambos sorriem, olham um ao outro e perguntam:
- E a família
? Filho, essas coisas, não tem ?
- Ah não, a família ficou lá em Curitiba.
- E você é feliz
? Se é feliz então tá ótimo. Nada nessa vida é escolha, tá tudo escrito rapaz. Da hora em que nasce à hora que morre!

Cumprimento os amigos, pago o almoço e, desejendo um dia desbravar essa cidade maravilhosa, volto à rodoviária pra pegar o ônibus de volta pra casa. Missão cumprida.

PS: Em breve o post será ilustrado com uma foto da viagem, ou não. :)