quinta-feira, 15 de julho de 2010

Espiral de ervas


Finalmente, eis o resultado de minha primeira espiral de ervas!
Ela foi feita quase toda reaproveitando pedaços de pedras, terra, etc... Primeiramente abri um canteiro em frente à casa - com um martelo e um formãozinho - quebrando as pedras da calçada, tirando aquela areia e jogando uma boa terra preta - que também foi achada abandonada numa caçamba aqui no bairro. Lá foram plantadas algumas mudas que achei pela região; espadas de são-jorge, babosas e boldos, que pegam fácil.
Enfim, para fazer a espiral cavei um terço - ao menos era o planejado - do tamanho da pedra em pé e conforme o caracol foi fechando a altura foi levantando. No meio planta-se o que necessita de mais sol e assim por diante. Nela rolou manjericão, cebolinha, hortelã, tomilho, orégano e salsinha. Ficou bem simples, mas efetiva e agradável!
Rolou até um stop-motion que não ficou lá aquelas coisas, mas está sendo editado. :)
Bom, muita paz e um ótimo inverno a todos!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Satyaprem: Você é o obstáculo

Satyaprem, à moda dos zen budistas, dá um belo nó na mente e nos traz uma belíssima compreensão acerca do "encontrar a paz".

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sem cor nem vida


Estavam todos lá, parecendo mortos em vida. O ambiente era tomado por uma grande massa disforme de sons, formada pelas mais variadas vozes que falavam sem parar e ao mesmo tempo. O cheiro da cerveja se confundia às vezes com a fumaça dos vários cigarros e as pessoas pareciam desnorteadas e sem cor.
Algumas se reparavam pelos cantos dos olhos e cochichavam, outras falavam alto e gesticulavam. Um rapaz ao canto, ávido por olhares, tocava com força seu violão e competia com aquela barulheira. Todos empunhavam seus copos e bebiam, bebiam como se aquilo fosse o combustível daquele momento.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O fim da jornada

Trecho do fim da pedalada ao Rio de Janeiro:

O ônibus passa devagar pelas pontes e viadutos. Avisto os topos das casas antigas
já amarronzadas pelo tempo e dentro delas as pessoas, que se escondem do calor e do tempo, olhando pela janela o concreto a ferver sob o sol.
Os verdes morros vão se tornando quadriculados e tomam a cor de barro, exibindo linhas negras que, espontâneas, se cruzam para todos os lados.
Enquanto uns moleques sorridentes soltam pipas, outros correm agitados pelas passagens estreitas.
Cheguei lá eram umas 14:00, depois de cruzar a linda serra de Miguel Pereira, marcada de curvas estreitas entre precipícios e grandes morros.
Saindo da rodoviária da capital, logo vou atrás de um almoço. Vejo uma moça negra e alta que vende cervejas e lhe pergunto onde arrumo um almoço barato.
- Barato quanto
?
- De preferência até uns 5 reais.

Ela me indica um treiler. Chego lá morrendo de fome e negocio um bom prato de arroz, umas poucas colheradas de feijão, alface, tomates e cebola por 4 reais.
Sentado a rangar, uns sujeitos logo me advertem: O negócio é se mandar daqui. Carnaval é muita covardia, a cidade vira um inferno.
Barbudo, vestindo os trapos já surrados pela estrada e carregando a velha bicicleta cheia de malas - lhes chamo a atenção e logo me perguntam sobre a aventura. Conto-lhes das experiências com o povo brasileiro, das pedaladas pelas serras e ambos sorriem, olham um ao outro e perguntam:
- E a família
? Filho, essas coisas, não tem ?
- Ah não, a família ficou lá em Curitiba.
- E você é feliz
? Se é feliz então tá ótimo. Nada nessa vida é escolha, tá tudo escrito rapaz. Da hora em que nasce à hora que morre!

Cumprimento os amigos, pago o almoço e, desejendo um dia desbravar essa cidade maravilhosa, volto à rodoviária pra pegar o ônibus de volta pra casa. Missão cumprida.

PS: Em breve o post será ilustrado com uma foto da viagem, ou não. :)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O desgosto e o amanhecer reciclável

Já cansados, simplesmente estamos.
Vejo uma multidão cansada. A esperança tornou-se a cerveja do fim de semana e a liberdade, a ilusão embriagada da escolha entre duas marcas.
A realidade tornou-se chata e mesquinha à luz da tevê, que brilha em nosso rosto e reflete o desgosto da vida. As novelas mostram quem gostaríamos de ser, o que gostaríamos de ver e os jornais trazem o mundo, tão distante. Tão racional posto às letras, tão chato explicado por especialistas e profissionais.
Ao dia-a-dia, nos empurramos uns aos outros por um lugar melhor na fila, por uma cadeira no ônibus. Observamos a cidade passar rápido pela janela, assim como os dias e as noites.
A repetição, a televisão, o trabalho, a casa, as férias. Estamos condenados ao desgosto ?
A fumaça tinge de cinza os céus, os prédios tapam o sol e os seres andam curvados, às pressas, pra lá e pra cá.
Em nossa relação com o espaço, não fazemos parte de lugar algum. Nos escondemos em nossas casas, envoltas em arames farpados ou ao topo de grandes prédios. Em nossa relação com o tempo, quando o alcançamos, este nos escapa pelos vãos dos dedos. Chegamos atrasados. Condenados a viver todos os dias, uns iguais aos outros. A meros consumidores.

Há algo além de nossos quartos, nossas televisões, nossos quintais, nossos bairros e cidades, nosso planeta. Além de nossa política, nossos empregos, nosso conhecimento, nossa usual forma de lidar com as coisas, de nossos problemas, há um universo. Um grande céu cheio de estrelas que a cidade apaga com a luz de seus postes, de seus prédios e casas. Estrelas que enaltecem a grandeza do todo, que mostram o quão pequenos e insignificantes somos.
Com todos os prédios, o sol não nos chega, as plantas secam e morrem. Com todo o ruído, não contemplamos o silêncio que habita o todo, nem muito menos nos ouvimos uns aos outros. Com toda a velocidade, todos os carros, não paramos, não trilhamos o caminho, não o conquistamos.
Há muito apagamos nossa conexão com os níveis mais sutis da vida, com o próprio universo, depois com os animais, com as plantas, com o próximo, com os espaços públicos e finalmente, com a própria atenção. Não prestamos mais atenção, nem ao menos olhamos o céu.
Vivemos então, em função de uma projeção do que somos, do que necessitamos, do que queremos. Quando não estamos presos ao passado, estamos planejando o futuro. E o momento sempre nos escapa!

Já passou da hora de aprendermos a sair de nós mesmos. Afinal, tudo é um. Não só o planeta é uma grande teia, mas todo o universo, em todas as suas manifestações. Sejam elas nossos corpos físicos, nossos espíritos, nossas mentes, os bichos, as plantas.
Somos criadores de nossa realidade, nossa própria ameaça! Damos força ao dinheiro do qual tanto reclamamos, às instituições, ao governo, aos bancos, à injustiça, à nossa própria relação com o tempo.

Não é tão complicado perceber que o mundo pode ser uma grande fraternidade. Um espaço de experiências e aprendizados reais, quando digo reais, refiro-me ao sentido de que perante todo o universo, independente do tempo, do espaço e da dualidade, aquilo faz sentido.
Nós sustentamos tudo o que está aí. E já é hora de prestarmos mais atenção, de vivermos com mais prudência. Nosso planeta há muito é um lugar de massacres e desigualdades e, apesar de estarmos presos aqui, temos a oportunidade única de vivenciarmos o agora e de trazermos luz à vida. O live-arbítrio é sagrado aqui na Terra e não somos obrigados a concordar com nada do que está aí! Há sim algo que rege a vida no universo inteiro e uma vez que nos adequamos a tal frequência, poderemos trazer um amanhã reciclável. É hora de colocarmos o discurso em prática, ou estaremos condenados a si mesmos.
A vida ensina por bem ou por mal e está aí a grande metáfora das ações do homem e das reações do próprio planeta para provar isso.

Olhemos para dentro! Busquemos inovar, larguemos daquilo que temos consciência que já não serve, uma nova energia está disponível e tudo o que não for adequado nos trará sofrimento, dor e nos afastará do que é mais importante para nossa existência mais profunda. Busquemos com o coração aberto!

Com muito amor escrevo essa mensagem no meio dessa madrugada, buscando ascender uma chama em cada um de nós.
Desejo-lhes muita luz, muita paz e muito amor.
Que todos os seres sejam felizes.

PS: A pintura é de Alex Grey, grande artista.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Amor Incondicional



O universo lhe abre os braços.
No frescor do momento, junto à atmosfera nova, sente-se abraçado.
Envolvidos pela grande trama auto-consciente da vida, todos os seres são tocados.
Naquele momento divino, único, tudo se encaixa e faz sentido.
As estrelas ressoam em seu ser, e sua mente se alinha num estado de contemplação.
Todas as criaturas, todo o universo - em todas as suas formas - transcendem o tempo, o espaço, e unem-se numa só consciência.
A partir daquela centelha, monta-se uma toda uma vida. Aceita-se o que lhe é concedido e a felicidade brota em seu coração, simplesmente por fazer parte de tão belo e profundo plano.
És parte do universo, meu filho.
És um, com o todo.
Sempre foi.

terça-feira, 16 de março de 2010

O vôo sobre o ócio


Às vezes carecemos de criatividade.
É como se aquilo que nos habita fosse sugado por toda porcaria que há. O barulho da televisão ao fundo, trazendo aquele sentimento brochante que o amanhã será como hoje, que foi como ontem, como o antes-de-ontem, e assim por diante... O novo - que cada dia contém - é imediatamente esgotado e transformado em tédio. A falta de esperança.
E então nossa criatividade latente se torna cada vez mais tímida e encolhida. Embora ainda se mostre em ocasionais surtos de agora.
Para notarmos os ventos frescos, devemos estar preparados. Atentos.
Não a atenção dos sentidos, tão cobrada pelos professores das velhas escolas.
Mas uma atenção interna, vinda do coração. Aberta para o que nunca aconteceu:
O céu do agora, que traz à tona as qualidades mais notáveis e que ilumina as virtudes.
Essa é a mudança.


Lá no alto - em pleno céu - enquanto algumas nuvens ocupam o azul, estacionadas.
Há sempre uma ave que as corta num vôo rápido e plaina. Tranquilamente.
Na serenidade dos ventos.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Toró - Música Livre

Toró chega, carregado, e lava a terra.
Entre raios e trovoadas, o tilintar das gotas no chão.
Do frescor do novo, floresce o agora.
Faz-se vida.
Sopra o vento forte e leva toró embora.
Morre o agora, sempre.
Nasce o Sol.
Seca o chão.
Faz-se luz.



Toró é um projeto meu e do grande Chico Han, que visa a música do agora. A música livre que nunca foi feita. São apenas algumas bases, notas e acordes que orientam o caminho do som, moldado pela essência do momento.